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Olá, tudo bem? Meu nome é Isadora Alves, diretora criativa da Dora, ou seja, uma faz tudo correria que ama trabalhar e tudo com uma pitada de amor, muito amor e suor. Vim aqui contar um pouco sobre como tudo começou, vem comigo:

Tudo começou com um belo pé na bunda, acredite. Depois de um fim desmedido de um relacionamento abusivo, fui curar minhas mágoas em São Paulo, bebendo bons drinks na augusta com minhas amigas cats. Durante uma visita ao Center 3, galeria muita conhecida da Av. Paulista por suas feirinhas de artesanato, conheci uma moça que vendia tiaras de tecido com arame dentro, fiquei encantada com tamanha tecnologia e destreza. Comprei uma pra mim e uma pra minha amiga que me hospedou em sua casa. Pois voltei à vida real, sentada na cama, desarrumando as malas, peguei a tal tiara e comecei a olhar todos os detalhes e tive uma ideia: vou fazer uma igual!

 

Calma vamos voltar um pouco na história. Em 2011 eu comecei um curso de corte e costura, queria aprender a costurar para me sentir mais próxima das mulheres de família que mora no interior, queria honrar a memória das costureiras e bordadeiras da família, manter em mim traços daquelas mulheres tão fortes. A ancestralidade gritava por viver em mim. ​Pois bem, no meio do curso veio o término,a viagem, a tiara e kabum: nascia uma marca de tiaras. Comecei a vender para minhas amigas próximas e colegas da faculdade, na época cursava Letras Vernáculas na UFBA, curso que conclui e deu sustento à mim e a marca por alguns anos, dupla jornada baby. De uma amiga, passei pra 10, de 10 passei pra 20 e do nada era a rainha das faixinhas de cabelo em Salvador. Brincadeiras à parte, tudo fluiu muito rápido e intuitivo, nunca me imaginei empreendedora costureirinha, nada disso. Mas rolou e eu segui o caminho que a vida me apresentou. Comecei a investir mais tempo, fazer cursos, muitos cursos, participar de feirinhas, bazares, eventos, tudo que você imaginar, isso tudo lá em 2013.

 

Um tempo depois a sala de aula passou a ser um fardo pesado de carregar, não conseguia dar conta de tudo, acabei tento uma tendinite e costurar virou martírio, precisava de ajuda.  ​Nesse entremeio fui cursar moda na Unifacs, achava, na verdade sempre achei, que a educação liberta, então nada mais óbvio que voltar à faculdade, ralar pra pagar um curso que achava ser o meu novo caminho. Último semestre, a vida corrida de trabalho, minha marca ganhou uma proporção que nunca imaginei, trabalhava de segunda à segunda, mais de 12 horas por dia, infelizmente o curso parou quase no fim e não dei conta de ganhar mais um diploma. Mas tudo bem, acho que foi importante o tempo e as pessoas que conheci lá. Depois de viver de feirinha em feirinha, de bazar em bazar, tomei uma das decisões mais importantes da minha vida: deixar a sala de aula e abrir uma loja física. Olha só que reviravolta, plot twist na vida, ainda por cima, uns meses depois veio a maternidade, mas isso eu conto já já.

 

Loja aberta, primeira loja com espaço colaborativo de Salvador/Ba, éramos 6 expositores dividindo uma sala no segundo andar de uma pequena galeria no bairro do Rio Vermelho, onde pulsa a vida criativa soteropolitana. Foram grandes aprendizados, virei uma mulher de negócios dona de loja que se orgulhava muito da sua luta. Mas ainda estamos na metade, tá. Segura aí mais um pouco, respira, bebe uma água e continua aqui comigo. Voltou?! Vamos lá. Loja em plena atividade, oficinas, bazares, brechós, vida criativa à mil, eu já não só fazia tiaras, vieram as necessaires, as roupas, precisava aumentar meus produtos porque não  ia conseguir pagar aluguel vendendo faixinhas à 15 reais, só se eu virasse uma big fábrica e etc. mas não era isso que eu queria.

 

Todo o processo de criação, produção, marketing, venda e afins eram e ainda são feitos por mim com ajuda de costureirinhas que fazem a Dora acontecer junto comigo. Ao todo, hoje, somos quatro mulheres: eu, Isadora faz tudo, Edna e Erica, costureiras e Tai, fotógrafa. Ou seja, pra ganhar dinheiro e manter a marca viva, lá em 2015 eu decidi costurar roupas.  Mas fazer roupas muita gente faz, eu queria alguma coisa que fizessem meus olhos brilharem que fizesse sentida na minha vida. Para ter valor, a peça precisa significar algo além do tecido. Eu sempre fui gordinha, fofinha e a dificuldade em achar roupas descoladas e marotas sempre foi um desafio constrangedor. Lembro que até uma certa idade o meu estilo era forjado com as roupas que cabiam, então, eu não sabia que a moda era vestir quem você é, pra mim moda era apenas para meninas magras e capa todateen (sucesso na minha adolescência).

 

Então, quando me vi adulta, com o mínimo de consciência estética sobre o mito da beleza, uma luzinha ascendeu e resolvi fazer roupas para mulheres reais, como seu. Quadris largos, muita bunda, muita coxa, muito peito, muito tudo! Fui aos poucos, porque era tudo novo pra mim: modelagem, overlock, comunicar roupa, modelos, vestir, provar, passar, mais modelagem, mas fui devagar e aprendendo aos poucos. Estudei, pesquisei, me politizei mais ainda, abracei uma causa que sempre foi minha, conheci mulheres gordas incríveis que me fizeram ter ainda mais certeza do caminho que estava percorrendo. Hoje, 2020, mudei a marca, antes era "Com amor, Dora", esqueci de contar né. eu escrevo, tenho um blog e o nome da marca veio de lá.

 

Pois bem, voltando, 2020, depois de outro plot twist, cá estou eu de volta, renovada e cheia de ânimo para escrever mais um capítulo dessa história linda e lhouca que é a minha vida. Ah, é tanta coisa nessa minha estrada que no meio de tudo veio uma gestação de susto, mas a melhor escolha da minha vida: Ana Rosa. Em 2016 eu engravidei, quando a loja estava em pleno vapor, precisei ir aos poucos, mais devagar, hahahaha até parece; trabalhei até a última semana de gestação, mas o baque veio mesmo depois que Rosinha Nasceu, puerpério é punk e eu não dei conta de tudo sozinha como sempre achei que faria. O mundo caiu, o meu mundo caiu para levantar outro ainda mais bonito, acreditem. Junto com Tarsi, uma amiga e companheira da luta #compredequemfaz decidimos juntar nossas lojas/ateliês e abrir uma loja maior, com mais mulheres e mais força, assim, nasceu a Guapa. Uma lojinha linda onde reunimos mais de 30 marcas formadas por mulheres artesãs, estilistas, criadoras, alquimistas, marceneiras, criativas! Ufa, agora passou um filme na minha cabeça.

 

Espero que você tenha chegado até aqui comigo. Essa é a minha história, ou apenas o começo dela. 

                                                                                                                                     Com amor, Dora.

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