Amor em cada palavra

que é mais difícil empreender sendo mulher isso a gente sabe, na verdade, há "um estado de guerra permanente contra as mulheres" já fala Silvia Frederici (2011) e essa desvalorização vem de muito antes lá onde nasce o estado patriarcal e essa guerra fala mais sobre as relações de poder entre os gêneros. nossa experiência ocupando lugares inóspitos é antigo, a diferença sexual sempre foi antes de tudo, política.



achou esse primeiro parfágrafo cabeção, muito inteletualizado, cheio de palavras acadêmicas? é assim que a gente se sente o tempo inteiro no mercado de trabalho. umas peixinhas fora d'água num mercado globalizado dominado por machos.


Adam Smith já falava em "mão invísivel" quando a gente se deu conta que trabalha mais sem ganhar um real furado. nossas mãos que limpam, trocam fraldas, varrem a casa, lavam louça, empurram carrinhos de compras e bebês, ou seja, o trabalho sensível de cuidado não está dentro da lógica capitalista (mais uma vez, patriarcal).


a infraestrutura invisível que faz o mundo girar e a economia também é dominado por nós, mulheres. somos o sustento de uma nação machista sem receber nada em troca e ainda morrer por isso. não é de ficar putassa e mandar tudo pro beléléu? mas não dá. a gente precisa alimentar nossas crianças.


falando do meu lugar de mãe e solteira, mulher, empreendedora, sem herança ou ajuda bancária hereditária, tá foda. por muito tempo falo em trabalhar por amor, com a maternidade veio o cuidar de um ser humano, casa, corpo, também por amor. mas, infelizmente, amor não paga conta e não enche barriga. a maior parte do nosso tempo é ocupado com "TRABALHO NÃO REMUNERADO" (Frederici , 2011)


nosso esforço é triplicado para exercer tarefas mecânicas dentro do estado liberal. antes de cumprir carga horária de trabalho "formal", levamos umas duas ou três horas entre café da manhã, filho na escola, ligar pro cartão de crédito e renegociar a dívida, ver se está faltando café, leite, pão, colocar roupa na máquina, esperar secar, dobrar e arrumar os lençóis. essas duas horas ou mais não são pagas e ainda chegamos no trabalho esgotadas e com menor produtividade que o macho que só levanta, passa uma água no cabelo e dirigi até seu escritório (falando aqui do macho hetéro, branco, cis, rico, boa vida, etc.)


estou revoltada? sim. a literatura faz isso com a gente. todo esse texto e toda essa revolta veio da leitura de um só capítulo do livro "A potência feminista, ou o desejo de transformar tudo Autora: Verónica Gago"



por isso, leiam mulheres. leiam, mulheres.

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há uma voz selvagem dentro de cada mulher


A gente acabou de lançar sua primeira coleção com estampas autorais em parceria com a artista e amiga Amanda Lauton. O desejo de ter a própria estampa veio desde o início do seu trabalho com moda.


“A estamparia diz muito sobre quem a gente é e a mensagem que a gente quer passar pro mundo. A roupa comunica e a estampa grita!" diz a designer de moda, Isadora Alves.




A inspiração para a primeira coleção foi a literatura feminista de Glennon Doyle, com o livro "Indomável". A autora passar por um processo de autoconhecimento e começa sua reflexão a partir de uma vista ao zoológico com os filhos onde vê um guepardo fêmea, a nossa chita, preso, ao invés de estar no mundo selvagem que é seu lugar de origem. A autora faz uma analogia com a vida da mulher moderna que tem uma voz selvagem gritando dentro de si, mas ainda assim, se vê presa aos paradigmas e dogmas patriarcais liberalistas do mundo contemporâneo. A dedicatória do livro já diz muito sobre o que iremos encontrar nas páginas seguintes:


"Para cada mulher ressucitando a si própria. Para as garotas que nunca serão enterradas." Glennon Doyle


Core vibrantes, chitas, flores, elementos gráficos que se comunicam fielmente com a voz latina, brasileira e poderosa da marca. A coleção "Indomável" é um recomeço estético em que a marca está se debruçando para contar sua história de uma maneira mais imagética e potente através dos tecidos e modelagens de suas roupas democráticas.



Isadora Alves e Amanda Carrilho

Foto: Taiane Sandes

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